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Uma rádio com a cara do Brasil (26/6/2010)

Um visionário para os bons negócios: esta é uma característica que se atribui a poucos homens de negócios no Brasil e no mundo. E neste ranking, o nome de Orestes Quércia certamente está enquadrado. Nascido em Igaçaba, Distrito de Pedregulho, no interior do Estado de São Paulo, Quércia, além da experiência política — responsável por capítulos importantes da história de São Paulo e do Brasil—, serve também como espelho quando a lição é empreender. Presidente da rádio Nova Brasil FM, que no próximo dia 1º de junho completa dez anos de história no mercado, Quércia apostou no futuro quando idealizou o projeto de uma das principais emissoras radiofônicas segmentadas, a Nova Brasil FM. Atualmente com uma programação 100% brasileira, a emissora se consolida comouma das mais ouvidas em suas praças de atuação —São Paulo, Brasília, Recife, Salvador e Campinas.

Em entrevista ao Shopping News, o empresário, um amante da moda de viola, não hesitou em tecer elogios ao atual momento da música brasileira, definindo-a como sofisticada e de qualidade. “Nestes dez anos vimos o resultado positivo do que significa a música popular brasileira. Algo mais sofisticado, mais arranjado, a que todas as classes sociais aderiram”, comentou Quércia.

No bate-papo o empresário relembrou momentos importantes de seu envolvimento com o meio radiofônico, dentre os quais sua atuação como locutor das rádios Cultura e Brasil. Acompanhe a íntegra da entrevista com Orestes Quércia, presidente da rádio Nova Brasil.

No final do século passado muito se discutia no mercado a internet e a queda de audiência e de faturamento das rádios.

Qual era sua visão para esse meio radiofônico?

Esse negócio de a rádio acabar, sempre se falou. Sempre entendi que a rádio teria o seu futuro. Esse meio deixa o ouvinte mais à vontade. Em casa ou no automóvel, é confortável ouvir alguém falar com você, e o rádio por vezes faz esse papel. A Nova Brasil é musical, mas também a notícia é levada àqueles que ouvem nossa programação, em especial as notícias de última hora. Acredito no meio ‘rádio’. Temos na Nova Brasil, um resultado tanto de prestígio quanto de faturamento.

O meio ‘rádio’ fazia parte dos negócios do empresário Orestes Quércia?

Sim. Tínhamos a Rádio Andorinha, em Campinas. Meu contato com este meio começou quando jovem, pois fui locutor das rádios Cultura e Brasil. Também sou ouvinte de rádio. Isso tudo foi levado à vida empresarial.

Há 10 anos eram poucas as rádios segmentadas, certo? Como aconteceu a proposta de planejamento para uma rádio focada em MPB?

A proposta veio de um dos diretores da empresa, o Luiz Calmon, nosso diretor artístico, que se manteve na empresa. Aceitamos o projeto e acabou por resultar em sucesso. De fato existiam poucas rádios segmentadas. Nossa programação ficou para chamada música popular sofisticada.

O senhor é de uma geração que ouvia grandes nomes da música brasileira. Cauby Peixoto, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Maysa, e Ângela Maria, entre outros, fizeram parte de sua vivência musical. E hoje, qual a sua avaliação da transformação da chamada música popular brasileira?

De fato ouve uma transformação. No fundo o conteúdo é o mesmo. Mas hoje temos outros estilos dessa música brasileira. Antes os cantores eram em número menor, era diferente de hoje. Talvez atualmente as carreiras sejam mais efêmeras.

Assim como o teatro e o cinema, a música é uma das principais manifestações culturais do Brasil, mas sabe-se que somos um povo americanizado quando o assunto é cultura. Qual a sua avaliação da importância da Nova Brasil FM como meio para resgatar e preservar as tradições do País?

Acho que antigamente essa influência americana era maior. Hoje a aceitação da classe A e B à música brasileira é um avanço. Talvez o rock explique melhor essa americanização, assim como o country (sertanejo americano). No passado os grandes artistas faziam shows abertos ao público; hoje é diferente, pois os artistas têm outras ferramentas para se divulgar. Antigamente as rádios faziam a diferença. Hoje também são importantes, mas os meios são variados, como a internet e a televisão.

Qual é o ingrediente da receita de sucesso da Nova Brasil?

Primeiro, a transformação da população, que passou a ver a música brasileira com sofisticação. Hoje as pessoas não têm vergonha de seu gosto, isso é importante para o futuro. Lógico que o profissionalismo contribui muito para este momento que vivemos: dez anos no ar.

E os planos para os próximos capítulos dessa história de sucesso?

Temos ideias e vontade de ter afiliadas da Nova Brasil FM pelo País afora. Certamente vamos trabalhar para isso.

Fonte: DCI - Shopping News

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